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A Dona da Noite - Capítulo 12

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  Participe do programa de marketing e recompensas do blog multiverso. Clique no link: Programa de marketing e recompensas Capítulo 12  A Tentação das Sombras A madrugada se debruçava sobre Paris como uma mortalha de seda negra. O vento sussurrava pelos becos, arrastando odores de pão amanhecido, ferrugem e chuva antiga. Emma caminhava sem pressa, o corpo flutuando sobre as pedras úmidas, leve como o sopro de um espírito. As gotas que escorriam do céu pareciam cintilar à sua volta, refletindo o lampejo dourado de seus olhos inquietos. Dentro dela, algo queimava. Não era sede — era outra coisa. Uma lembrança do toque quente de Elias, do tremor leve em seus dedos humanos quando tocaram sua pele fria. Era fogo. E aquele fogo lhe causava medo. Quando chegou ao seu refúgio — um casarão abandonado nos arredores de Montmartre —, a noite já começava a se desfazer em tons azulados. Ela sentiu o primeiro arrepio: o chamado do sol. O corpo começou a dissolver-se, os contornos perdendo ni...

A Dona da Noite - Capítulo 11

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  Capítulo 11 O Perfume da Redenção A chuva fina caía como véus líquidos sobre as janelas da cafeteria antiga. Do lado de dentro, o vidro embaçado difuminava a cidade em pinceladas de âmbar e cinza. O vapor do café misturava-se ao perfume de madeira envelhecida e de livros esquecidos nas estantes. Elias chegou primeiro — como sempre —, trazendo no rosto a serenidade que só os que oram antes de enfrentar a escuridão possuem. Emma entrou em silêncio. O som de seus passos parecia ter peso e leveza ao mesmo tempo, como se o chão temesse ser tocado por ela. Vestia-se de preto, um tecido fino que refletia as luzes amareladas do ambiente. O cheiro — uma mistura de jasmim e algo metálico, quase imperceptível — envolveu Elias num arrepio involuntário. — Percebo, pastor, que não já não sentes medo — disse ela, sentando-se diante dele, os olhos dourados faiscando sob a luz do abajur. — Não sinto medo — respondeu Elias, com voz baixa. — Sinto compaixão. O silêncio que se seguiu era quase corpó...

A Dona da Noite - Capítulo 10

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  Capítulo 10  A Luz nas Fendas da Alma O vento noturno trazia o perfume de jasmim e chuva antiga. A cidade parecia suspensa entre o sonho e o esquecimento. As luzes dos postes desenhavam círculos amarelos sobre o calçamento molhado, e, a cada passo, Elias Montgomery sentia o coração pulsar como um tambor distante — não de medo, mas de pressentimento. Emma o esperava à beira do rio Sena, vestida de cinza. Seus cabelos dourados estavam soltos, refletindo o luar como fios de prata viva. Ela parecia mais pálida, mais frágil, quase humana. E, ainda assim, emanava uma força invisível, uma aura que fazia o ar vibrar à sua volta. — Voltei, — disse Elias, aproximando-se devagar. — Eu sabia que voltaria, — respondeu ela, sem olhar para ele. Sua voz parecia o eco de uma canção antiga. — Os homens de fé são previsíveis. Quando acreditam ter uma missão, não descansam até cumpri-la. Elias sorriu com suavidade. — Talvez não seja missão. Talvez seja compaixão. Emma virou-se. Seus olhos, outr...

A Dona Da Noite - Capítulo 9

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  Capítulo 9  O Visitante da Meia-Noite O quarto de Elias Montgomery cheirava a papel, café frio e velas derretidas. A madrugada já se arrastava, e a caneta descansava sobre o caderno aberto — metade das páginas preenchidas com anotações sobre Emma Valcourt. Cada palavra parecia pulsar, viva, como se o próprio sangue dela escorresse entre as linhas. Elias sentia um peso na mente, um cansaço que não era físico. Era como se algo o observasse por trás das paredes. Fechou os olhos. Rezou em silêncio. E, sem perceber, adormeceu. O sonho começou com o som de sinos distantes e o farfalhar de asas negras. Estava novamente em Paris, mas não a Paris moderna — e sim uma versão espectral, coberta por névoa e gritos apagados. As ruas estavam vazias, e sobre elas pairava um cheiro de sangue e incenso queimado. No centro de uma praça abandonada, havia uma guilhotina. Debaixo dela, sentado em um trono feito de ossos, um homem o esperava. Vestia um manto de veludo escuro e, quando sorriu, o ar...

A Dona da Noite - Capítulo 8

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  Capítulo 8  O Nome do Abismo A segunda noite chegou coberta de neblina. Paris parecia suspensa entre mundos — as luzes dos postes se dissolviam como fantasmas no ar úmido, e o som dos sinos das catedrais se espalhava como uma oração esquecida. Elias Montgomery caminhava com passos firmes, mas o coração inquieto. Trazia consigo a sua inseparável companheira e escudo de proteção, a Bíblia sagrada.  No bolso, o pequeno caderno onde registrava suas anotações — e, em cada página, o nome dela surgia como uma obsessão: Emma Valcourt. Ele a encontraria novamente no mesmo café da Rue des Écoles. Era tarde. As ruas estavam quase vazias. O vento trazia um cheiro metálico, como de ferro e chuva. Elias sentia algo diferente naquela noite — um pressentimento, uma gravidade no ar. Quando empurrou a porta, ela já estava lá. Emma o esperava sentada à mesa do canto, envolta em um manto negro que refletia a luz das velas. Os olhos dela, de um azul cortante, pareciam carregar oceanos intei...