A Dona da Noite - Capítulo 11
Capítulo 11 O Perfume da Redenção A chuva fina caía como véus líquidos sobre as janelas da cafeteria antiga. Do lado de dentro, o vidro embaçado difuminava a cidade em pinceladas de âmbar e cinza. O vapor do café misturava-se ao perfume de madeira envelhecida e de livros esquecidos nas estantes. Elias chegou primeiro — como sempre —, trazendo no rosto a serenidade que só os que oram antes de enfrentar a escuridão possuem. Emma entrou em silêncio. O som de seus passos parecia ter peso e leveza ao mesmo tempo, como se o chão temesse ser tocado por ela. Vestia-se de preto, um tecido fino que refletia as luzes amareladas do ambiente. O cheiro — uma mistura de jasmim e algo metálico, quase imperceptível — envolveu Elias num arrepio involuntário. — Percebo, pastor, que não já não sentes medo — disse ela, sentando-se diante dele, os olhos dourados faiscando sob a luz do abajur. — Não sinto medo — respondeu Elias, com voz baixa. — Sinto compaixão. O silêncio que se seguiu era quase corpó...