A Dona da Noite - Capítulo 13
Participe do programa de marketing e recompensas do blog multiverso. Clique no link: Programa de marketing e recompensas
Capítulo 13
A Guerra Invisível
O relógio marcava três e quinze da manhã. A lua se erguia pálida sobre Denver, tingindo de prata o interior do pequeno apartamento de Elias Montgomery. A luz entrava pelas frestas da cortina, refletindo nos livros, na Bíblia aberta sobre a mesa e na caneca de café já frio.
Ele não conseguia dormir desde o último encontro com Emma. Havia algo diferente naquela mulher — um perfume, um olhar, uma espécie de dor silenciosa que o perseguia mesmo quando fechava os olhos.
E, agora, sentia o ar vibrando. Um frio súbito correu-lhe a espinha.
O quarto escureceu, como se a luz da lua fosse engolida por algo invisível. Elias se ajoelhou.
— Pai, eu sinto que ela está em perigo… Mostra-me o que devo fazer.
O ar estalou. Um zumbido atravessou o silêncio e, de repente, tudo ao redor começou a se desfazer — as paredes, o teto, o chão — até restar apenas um campo negro, profundo, onde a única luz vinha dele mesmo.
Elias estava em visão.
Viu Emma cercada por sombras em fúria. O vestido dela flutuava, os cabelos loiros e cacheados se misturavam à escuridão viva que a envolvia. Do outro lado, Lucien, o vampiro, erguia os braços, os olhos incandescentes como duas brasas.
— Volta para mim, Emma! — sua voz ecoava como um trovão. — A eternidade nos chama!
Emma girava em meio à névoa, duas adagas em punho. Seus movimentos eram um balé entre a morte e a elegância. Cada golpe rasgava o ar com um som metálico, cada respiração parecia arrancada de uma garganta que lembrava a vida.
Lucien avançou com velocidade impossível. Suas unhas transformaram-se em lâminas, fendendo o ar. Emma desviou, rolou sobre o chão e o atingiu no peito — mas a lâmina atravessou o corpo dele sem resistência, como se cortasse fumaça.
— Você ainda pensa como humana, minha querida — zombou ele, aproximando-se lentamente. — A compaixão é um veneno.
Elias assistia, impotente, a cena. Queria gritar, mas a voz não saía. Sentia o coração bater com violência, e o ar rarefeito da visão o fazia arfar.
De repente, uma voz ressoou dentro dele — suave e poderosa:
> “Levanta-te, Elias. Usa o nome d’Aquele que venceu as trevas.”
Ele se pôs de pé, levantou a mão e gritou:
— Em nome de Jesus Cristo, retira-te, espírito das sombras!
O céu da visão se rasgou em luz. Um som de metal em brasa preencheu o espaço. Lucien recuou, o rosto deformando-se pela primeira vez em medo.
— Ele não pode te salvar, Emma! — rugiu, tentando conter a luz. — Ele me pertence!
Emma caiu de joelhos, cobrindo os ouvidos. O brilho a atingia também, e ela gritava, confusa, entre o terror e a esperança.
Elias deu um passo à frente. Seu corpo estava banhado de luz dourada, como se o próprio Espírito o revestisse de fogo puro.
— Emma! — bradou ele. — Olhe pra mim! Ele mente! Ele nunca te libertou, apenas te aprisionou!
Ela ergueu o rosto. As lágrimas escorriam. Por trás delas, o reflexo da luz se misturava ao vermelho dos olhos de sangue.
— Eu... eu não consigo... — sussurrou.
Lucien rugiu. Com um movimento, lançou-se sobre Elias, atravessando o espaço como um raio negro. Elias sentiu o impacto — um golpe gelado, como se a alma fosse arranhada. Mas, em vez de recuar, firmou os pés.
— Maior é o que está em mim do que o que está no mundo!
Um clarão irrompeu, tão forte que partiu a escuridão em mil fragmentos. O grito de Lucien ecoou por segundos eternos até se dissipar no nada.
Emma, caída, tremia. O ar cheirava a ferro e a ozônio.
Elias se aproximou, ajoelhou-se e tocou o rosto dela. A pele ainda fria, mas pela primeira vez... pulsante.
— Está tudo bem — disse ele, ofegante. — A guerra não acabou, mas agora você viu quem ele é.
Emma abriu os olhos. A pupila dourada oscilava entre a sombra e o reflexo da luz.
— Você arriscou sua alma por mim... por algo que talvez nem possa ser salvo.
Elias sorriu, exausto, com o olhar úmido.
— Cristo não salva “algo”, Emma. Ele salva pessoas. E Ele quer você.
Ela o fitou longamente, e algo dentro dela — algo enterrado há séculos — começou a se mover.
Um calor subiu pelo peito, tão intenso que a fez respirar fundo, como se provasse o ar pela primeira vez.
E então, tudo desapareceu.
— Elias despertou no quarto, suado, o coração em disparada. A Bíblia sobre a mesa estava aberta em Efésios 6:12:
> “Porque a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso...”
Ele respirou fundo e sussurrou:
— Senhor... dá-me força para encontrá-la novamente.
Do lado de fora, o amanhecer começava a pintar o céu de cor-de-rosa.
E, em algum lugar de Paris, Emma abria os olhos — o corpo trêmulo, o coração batendo.
Pela primeira vez, o sol nascia... e ela não se dissolvia completamente em sombra.
Obs: "Para ler os capítulos anteriores, clique no link em azul".
Clique no link em azul: Programa de Marketing e Recompensas

Comentários